A ascensão do relativismo religioso: por que até Padres defendem uma religião mundial?



Neste artigo, não tenho a pretensão de rebaixar nenhuma religião, muito menos de condená-las. No entanto, é importante reconhecer que, em algumas partes do mundo, existem crenças e práticas que não aceitam  outras religiões, inclusive o cristianismo, havendo casos de perseguição e violência.

A partir da fala de um dos maiores teólogos do Brasil, proponho refletir sobre uma questão que tem gerado debates: por que até mesmo padres têm, em certos contextos, defendido ou demonstrado um certo tipo de apoio em relação a outras religiões?

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Vídeo Importantíssimo

Assista ao vídeo que explica por que é equivocada a afirmação de que Deus está em todas as religiões. Pois, se a Igreja Católica possui a verdade, essa mesma verdade não pode estar plenamente em todas as religiões, já que muitas apresentam doutrinas totalmente contrárias entre si, e, portanto, não podem estar todas corretas ao mesmo tempo.

Pois a questão não admite meio-termo: ou Jesus é quem disse ser, e, nesse caso, o cristianismo possui algo que nenhuma outra religião possui, que é a presença real de Deus encarnado, ou então Jesus não é quem afirmou ser. E, se assim fosse, o cristianismo seria a maior farsa, a maior fraude, a maior ilusão e o maior engano já ensinados na história humana.

Portanto, não é possível dizer que Jesus foi apenas um grande mestre entre outros, porque um verdadeiro grande mestre não afirmaria ser Deus.

Para mais detalhes, assista ao vídeo. Recomendo: vale muito a pena.

Nós podemos, por acaso, afirmar que todas as religiões são caminho de salvação? 

Essa pergunta é bastante pertinente, porque nós estamos numa sociedade onde a tolerância com as várias religiões não somente está na moda, mas é uma verdadeira agenda.

Você sabe que os globalistas, as pessoas que trabalham para que haja um governo mundial, gostariam que houvesse uma única religião no mundo. 

Esta única religião teria o formato de pluralismo religioso, ou seja, uma religião relativista, onde todas as religiões têm igual cidadania e, ao mesmo tempo, nenhuma delas teria uma pretensão de universalidade.

Portanto, dizer que todas as religiões são boas, que nós podemos crer em qualquer coisa, o importante é crer em alguma coisa, não somente está muito na moda, mas dizer o contrário é arriscar-se, certamente, à perseguição.

No entanto, nós, católicos, não podemos aceitar essa proposta. Por quê? Porque a Igreja Católica é a Igreja para a qual todos os seres humanos foram criados, e Jesus veio a este mundo para que todos, aqui na terra ou, derradeiramente, no céu, pertençam à sua única Igreja.

Para que você verifique que esta é a posição da Igreja Católica, eu sugiro para sua leitura dois documentos: o primeiro, a declaração Dominus Iesus, de agosto de 2000, assinada pelo cardeal Joseph Ratzinger. 

Seis meses depois, houve outro documento, mais curto e talvez mais fácil de estudar, que é uma notificação a respeito do livro de um jesuíta, o padre Jacques Dupuis.

O padre Jacques Dupuis escreveu um livro chamado Verso una teologia cristiana del pluralismo religioso. Esse livro foi traduzido para o português; foi escrito em 1997 e, em 1999, já estava no Brasil. No entanto, hoje é difícil de ser encontrado em português, pois está fora de catálogo.

A Santa Sé, em 2001, fez uma notificação a respeito desse livro, corrigindo e estabelecendo limites para aquilo que é aceitável em uma reflexão católica sobre o pluralismo religioso.

Existem cinco pontos básicos, cinco pilares que nós não podemos renunciar.

A primeira coisa é que Jesus Cristo, Deus que se fez homem,  a pessoa histórica de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nasceu em Belém, cresceu em Nazaré e morreu no Calvário, na cruz, em Jerusalém, é o caminho de salvação universal. 

Não existe a possibilidade de dizermos que Jesus é apenas uma das muitas encarnações do Verbo eterno de Deus. Isso não é aceitável.

O segundo ponto, também inaceitável, é afirmar que Deus se revelou no cristianismo, mas também nas outras religiões, como se as verdades destas completassem a revelação cristã. Isso não é católico; é considerado herético. 

Em Jesus Cristo, nós temos a plenitude da revelação, e não existe nenhuma verdade revelada por Deus que falte ao cristianismo.

Na realidade, os elementos de verdade presentes em outras religiões não podem ser chamados propriamente de revelação, mas sim de uma ação do Espírito Santo no coração dos homens, que, às apalpadelas, vão buscando a verdade.

E esta é a terceira verdade: a ação do Espírito Santo, mesmo fora das fronteiras visíveis da Igreja, tem como finalidade conduzir as pessoas à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O quarto pilar é o fato de que todos os seres humanos são orientados para essa Igreja. Ou seja, existe uma vocação universal para que, um dia, todos pertençam à única Igreja de Cristo.

E, finalmente, o quinto pilar trata do valor salvífico das religiões. E aqui está o centro da pergunta inicial: essas religiões são ou não instrumentos de salvação?

A resposta é clara: enquanto religiões, não são instrumentos de salvação. O que pode ser instrumento de salvação são as verdades nelas contidas, mas que também existem fora delas,  porque o Espírito Santo age em diferentes povos, culturas e religiões, orientando as pessoas para Cristo e para a sua Igreja.

Essa posição, que pode parecer antiquada, é exatamente a posição do Concílio Vaticano II, citada na constituição Lumen Gentium, número 16.

Portanto, o pluralismo religioso é uma realidade difícil de conciliar plenamente com a doutrina católica. Ainda assim, devemos afirmar que a Igreja deseja conviver pacificamente com todos os povos e religiões, promovendo um diálogo humano, fraterno e respeitoso.

No entanto, não podemos renunciar à missão confiada por Nosso Senhor, que, nos últimos versículos do Evangelho de São Mateus, disse: “Ide, fazei discípulos de todos os povos”.

A missão é universal, em obediência a Cristo. Ele quer que todos os homens sejam salvos, mas essa salvação acontece através do Filho encarnado, Jesus Cristo, e no prolongamento de sua presença na história, que é a Igreja Católica.




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